O mundo das criptomoedas tem agitado os investidores nesta quinta-feira, 5, com o Bitcoin (BTC) despencando para abaixo dos US$ 65.000, um nível não visto desde outubro de 2024. Mas o que realmente chamou a atenção não foi apenas a queda, e sim uma enxurrada de posts nas redes sociais ligando o tropeço da moeda digital ao bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, conhecido por chefiar um esquema de tráfico e exploração sexual de crianças e adolescentes.
A principal razão para essa conexão inesperada? A aparição de termos e nomes ligados a criptomoedas, como o próprio Bitcoin, milhares de vezes nos novos arquivos do Caso Epstein. Esses documentos foram liberados na última semana pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
Epstein e o Bitcoin: O Que os Documentos Revelam?
Um mecanismo de busca específico nos arquivos mostrou que a palavra “Bitcoin” surge nada menos que 1.522 vezes nos documentos do caso Epstein. É um número que, à primeira vista, impressiona e alimenta teorias.
Mas, por que o Bitcoin aparece tanto?
Os e-mails e anexos analisados foram produzidos principalmente nos anos 2010. Naquela época, a criptomoeda já era vista como um tema quente no universo da tecnologia e, em alguns grupos, funcionava como uma opção de pagamento e investimento. Por isso, a presença do termo nos arquivos se dá em vários contextos:
- Referências a transferências financeiras.
- Doações.
- Oportunidades de negócios.
- Conversas mais informais, sem ser o assunto principal.
O que os documentos também indicam é que Jeffrey Epstein tentou se aproximar de pessoas e projetos que trabalhavam no desenvolvimento e pesquisa do Bitcoin. A ideia era clara: ele buscava influência e acesso a círculos estratégicos dentro desse novo e promissor ecossistema.
Um ponto relevante nessa história de bastidores é a relação de Epstein com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Entre 2002 e 2017, ele doou um total de US$ 850 mil à instituição. Desse valor, US$ 525 mil foram especificamente para o Digital Currency Initiative (DCI), um braço do MIT Media Lab. Em 2015, parte desses recursos foi usada para pagar, de forma indireta, desenvolvedores do Bitcoin Core, num momento em que a Bitcoin Foundation estava sem dinheiro.
Foi a partir daí que o MIT ganhou um papel central no desenvolvimento do protocolo da criptomoeda. Joichi Ito, que era o diretor do Media Lab na época, passou a ter contato frequente com Epstein.
“Passei o final de semana analisando as evidências do Epstein no financiamento da Blockstream e envolvimento com os devs do Bitcoin. Antes de entrar nos e-mails, datas e documentos, vale alinhar o básico sem fantasia nem paranoia…”
— Trecho de uma postagem de Rafaela Ferrari Kley sobre a análise dos documentos de Epstein.
Contudo, é fundamental deixar claro: os arquivos divulgados até agora não mostram que Jeffrey Epstein tenha tido qualquer influência direta na criação do Bitcoin, nem que ele seja o famoso Satoshi Nakamoto, o pseudônimo do misterioso criador da moeda, cuja identidade nunca foi revelada. A principal ideia é que a ligação de Epstein com o Bitcoin estivesse mais relacionada à sua busca por aumentar seu capital social e fazer conexões dentro de um setor que, na época, ainda era pequeno e não tinha o reconhecimento que tem hoje.
A Realidade do Mercado: O Que Explica a Queda do Bitcoin?
Enquanto a história de Epstein e o Bitcoin gera burburinho, o mercado tem suas próprias explicações para a recente desvalorização. Nos últimos sete dias, o valor do Bitcoin caiu expressivos 22,2%.
Para os especialistas, a criptomoeda tem se comportado de forma parecida com outros “ativos de risco”, como as ações. Isso acontece num cenário de baixa liquidez, ou seja, com menos dinheiro circulando e menos gente negociando.
A empresa de serviços financeiros Stifel, nos EUA, por exemplo, alertou que a queda do Bitcoin pode ser só o começo de algo maior. Em um comunicado, a corretora sugeriu que a criptomoeda pode perder cerca de 70% do seu valor em relação ao recorde histórico, chegando a ser negociada a US$ 38.000.
Dados da CoinGecko reforçam esse cenário, mostrando que o mercado global de criptomoedas já perdeu US$ 2 trilhões em valor desde que atingiu seu pico de US$ 4,4 trilhões em outubro de 2025. A queda das criptomoedas também acompanha a baixa das bolsas de Nova York, que caíram pela terceira sessão seguida, impulsionada pela venda massiva de ações de tecnologia em Wall Street.
Os investidores estão de olho em uma série de preocupações:
- Temores relacionados ao setor de Inteligência Artificial (IA).
- Dados fracos do mercado de trabalho nos EUA.
- Declarações recentes do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a regulação da IA e a tributação de ganhos com criptomoedas.
Assim, embora a 'teoria Epstein' tenha ganhado os holofotes, a realidade é que o mercado de criptomoedas enfrenta desafios complexos, influenciados por fatores econômicos e regulatórios globais muito mais amplos.

