A Bahia se consolidou como um dos grandes destaques na área de transplantes renais no Brasil. Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Transplantes mostram que, ao longo de 2025, o estado realizou 335 transplantes de rim, garantindo uma posição de liderança não só no Nordeste, mas também entre os estados com maior volume desses procedimentos em todo o país.
Esse desempenho expressivo da Bahia reflete o fortalecimento de toda a rede de atendimento aos pacientes que vivem com doença renal crônica. A nefrologista Ana Flávia Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA), explica a importância desse avanço.
“A Bahia tem avançado na realização de transplantes renais e isso mostra o fortalecimento da estrutura de atendimento e da qualificação das equipes médicas. Cada procedimento representa uma nova chance de vida para pacientes que convivem com limitações severas causadas pela doença renal”, afirmou Ana Flávia.
No cenário nacional, o Brasil contabilizou 6.696 transplantes de rim em 2025, um número bastante significativo, especialmente por ser majoritariamente realizado pela rede pública de saúde. Na comparação com outros estados nordestinos, a Bahia ficou em segundo lugar, atrás apenas de Pernambuco, que registrou 473 procedimentos. O Ceará veio em terceiro, com 260 transplantes, seguido por Maranhão (96), Piauí (76), Rio Grande do Norte (63), Alagoas (29) e Sergipe (4).
Ritmo se mantém em 2026 e transforma vidas
A boa notícia é que o ritmo de transplantes continua acelerado. Os dados preliminares de 2026 já indicam que, até o início de fevereiro, o Brasil realizou 519 transplantes renais, sendo 22 deles na Bahia. Essa continuidade demonstra a estabilidade da rede de atendimento e o compromisso das equipes envolvidas. “Manter o volume de transplantes é um desafio permanente, porque depende de fatores como logística hospitalar, equipes preparadas e, principalmente, da doação de órgãos. Quando conseguimos manter essa regularidade, oferecemos melhores perspectivas para quem está na lista de espera”, explica Ana Flávia Moura.
Para pacientes com insuficiência renal avançada, o transplante renal é o tratamento que oferece a melhor qualidade de vida. A diálise, embora essencial para a sobrevivência, impõe muitas restrições à rotina. “Muitos pacientes precisam se submeter a sessões de diálise várias vezes por semana, o que interfere diretamente na rotina e na saúde emocional. O transplante permite retomar uma vida com mais autonomia, menos restrições e melhores condições clínicas”, destacou a especialista.
Perfil dos pacientes e o desafio da doação
Os dados de 2025 também revelaram que a maioria dos pacientes que receberam um rim transplantado eram homens, representando cerca de 62% dos procedimentos. A faixa etária predominante foi entre 35 e 64 anos, período em que doenças como hipertensão arterial e diabetes — que frequentemente levam à insuficiência renal — são mais comuns.
A presidente da SBN-BA reforça a importância da prevenção: “A doença renal crônica geralmente surge como consequência de outras doenças, especialmente hipertensão e diabetes. Por isso, o acompanhamento médico e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar a progressão para a necessidade de diálise ou transplante”.
Apesar de todos os avanços, a demanda por transplantes ainda é alta. O rim é o órgão com a maior lista de espera no Sistema Nacional de Transplantes, com milhares de pessoas aguardando por um doador compatível. Por isso, Ana Flávia Moura enfatiza a necessidade de ampliar o debate público sobre a doação de órgãos.
“A decisão pela doação ainda enfrenta barreiras relacionadas à falta de informação e insegurança das famílias. Quando a sociedade entende a importância desse gesto, conseguimos salvar mais vidas e reduzir o tempo de espera dos pacientes”, finaliza.

