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Artista plástico Aurelino dos Santos morre aos 83 anos em Salvador

Aurelino dos Santos, artista autodidata baiano com trajetória singular, morre aos 83 anos em Salvador. Suas obras, comparadas a Tarsila do Amaral, retratavam a Bahia e conquistaram reconhecimento nacional e internacional.
Por Redação
Artista plástico Aurelino dos Santos morre aos 83 anos em Salvador

Aurelino dos Santos, 83 anos -

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O mundo das artes da Bahia lamenta a perda de uma de suas figuras mais autênticas e inspiradoras. Aurelino dos Santos, um artista plástico autodidata que encantou a todos com seu olhar único sobre Salvador, morreu na noite da última sexta-feira, 23, aos 83 anos. A causa da morte foi insuficiência respiratória, conforme informado pela Ernesto Bitencourt Galeria, que representava o artista na capital baiana.

Uma trajetória de vida e arte sem igual

Nascido em 16 de junho de 1942, a história de Aurelino dos Santos é um verdadeiro testemunho de superação e paixão pela arte. Longe dos caminhos convencionais, ele não foi alfabetizado e começou sua vida profissional como cobrador de ônibus. No entanto, o destino o levou para o universo das cores e formas.

Sua jornada artística ganhou um impulso decisivo graças ao incentivo do escultor Agnaldo Santos. Mais tarde, a renomada arquiteta Lina Bo Bardi reconheceu seu talento bruto, oferecendo materiais e organizando sua primeira exposição individual. Esse marco aconteceu em 1963, nada menos que no foyer do Teatro Castro Alves, um dos espaços culturais mais importantes de Salvador, na Bahia. O apoio de Lina Bo Bardi foi crucial, não apenas por fornecer recursos, mas por validar e projetar o trabalho de Aurelino para um público mais amplo.

O olhar singular de Aurelino sobre a cidade

Aurelino dos Santos conviveu com um diagnóstico de esquizofrenia, o que, de certa forma, influenciou a percepção de seu trabalho e sua própria pessoa. Para alguns, ele era visto como um "louco", mas para muitos outros, Aurelino possuía um olhar incrivelmente profundo e sensível sobre a vida em Salvador e o cotidiano da cidade.

Essa sensibilidade se traduzia em obras repletas de detalhes vibrantes e um uso marcante de cores, que capturavam a essência da Bahia. Suas criações, que misturavam a ingenuidade com uma técnica apurada, frequentemente eram comparadas às de grandes nomes do modernismo brasileiro, como Tarsila do Amaral e Volpi, mostrando a importância e a originalidade de seu traço.

Legado em coleções e exposições

O reconhecimento do talento de Aurelino dos Santos não se limitou a Salvador. Suas obras conquistaram um lugar de destaque em coleções públicas e privadas, além de brilhar em importantes galerias e feiras de arte pelo Brasil e pelo mundo. Ele esteve presente em eventos prestigiados como:

  • SP-Arte
  • ArtRio
  • ArPa
  • Rotas Brasileiras

Individualmente, suas exposições percorreram instituições de renome, incluindo o Museu de Arte Moderna da Bahia, a Galeria Estação, a Galeria Simões de Assis, o Museu Afro Emanoel Araújo e o Museu Nacional da República. O alcance de sua arte atravessou fronteiras, com exposições em cidades internacionais como Paris, Madrid, Valência e Los Angeles, solidificando seu nome no cenário artístico global.

A partida de Aurelino dos Santos deixa uma lacuna no cenário cultural baiano, mas seu legado de arte, resiliência e um olhar genuíno para o mundo continua a inspirar e emocionar.