A artista baiana Elisabeth Rothers Coutinho, 79 anos, dedica-se à criação de esculturas de cerâmica em seu ateliê em Salvador. Suas obras, que exploram o conceito do imperfeito, são inspiradas em referências históricas e na própria matéria-prima.
Elisabeth, que por 32 anos atuou na restauração de obras de arte em cerâmica no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), iniciou a modelagem em argila cinco anos antes de sua aposentadoria, em 2017. Ela utiliza a experiência adquirida em sua formação na Escola de Belas Artes da UFBA e na Faculdade de Arquitetura da UFBA.
Segundo a artista, seu trabalho se divide em três linhas de produção: o ser humano, pedras e tótens. Ela busca aprimorar a técnica e a criação livre, incorporando as imperfeições naturais da argila em suas peças.
A Influência e o Processo Criativo
As esculturas de Elisabeth Rothers são influenciadas por artistas como Henri Moore e pela Vênus de Hohle Fels, uma estatueta pré-histórica. A artista reelabora essas referências, focando na flexibilidade das formas e no esquematismo figurativo.
Em suas peças, destacam-se cabeças que emergem da argila, com expressões variadas e traços que remetem à cerâmica marajoara e às máscaras africanas. A artista integra as reentrâncias e furos acidentais do material na composição final, resultando em uma poética que valoriza a coexistência do “perfeito” e do “imperfeito”.
Elisabeth seleciona argilas de diversas colorações em São Paulo e as prepara cuidadosamente para a queima. Ela utiliza a cor para realçar volumes e a expressividade das esculturas de cerâmica, além de fazer incisões que se assemelham à escrita cuneiforme.
A artista explica que se apropria da forma plástica da argila, intervindo para ajustar e agregar o que a natureza oferece. Ela cria figuras humanas, cabeças e tótens inspirados em pássaros, sempre buscando a harmonia entre a precisão de sua mão e a aleatoriedade da matéria.

