A agricultura da Bahia fecha o ano de 2025 com motivos para celebrar e já olha para 2026 com grande otimismo. O estado se prepara para colher frutos de um investimento pesado em tecnologia e na diversificação das suas plantações, prometendo um futuro ainda mais próspero para o agronegócio baiano.
Para o próximo ano, as projeções são animadoras: 15 das 26 culturas analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) devem crescer. Os grãos, por exemplo, como o feijão, esperam um aumento de 35,3% na primeira safra, enquanto a fruticultura, especialmente o cacau, prevê um avanço de 5,3%. Outras culturas, como a mamona, também mostram fôlego, com uma expectativa de crescimento de 14,1%.
O bom desempenho de 2025 e o futuro
O ano de 2025 já foi um marco. De acordo com Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), a Bahia teve uma safra perto do recorde, estimada em impressionantes 12,84 milhões de toneladas de grãos. Isso fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio baiano crescesse 5% no segundo trimestre de 2025, respondendo por quase 30% de toda a atividade econômica do estado.
“Em 2025, o desempenho da agricultura baiana foi positivo, com indícios de uma safra recorde, estimada em 12,84 milhões de toneladas de grãos. A Bahia consolidou sua liderança nas exportações agrícolas do Nordeste no primeiro trimestre de 2025 - o cacau e seus derivados, o café e o algodão foram os principais impulsionadores”, conta Assis Pinheiro Filho.
A soja e o algodão foram os grandes destaques, puxando essa safra histórica e consolidando a liderança da Bahia nas exportações agrícolas do Nordeste, principalmente com cacau, café e algodão.
Desafios vencidos e novas metas
Apesar do bom volume de produção, 2025 não foi fácil para os agricultores. Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), explica que, mesmo com alta produtividade, a remuneração não foi ideal.
“Embora tenha sido um ano de bom desempenho para algumas culturas, o produtor não foi bem remunerado. Do ponto de vista da rentabilidade, tivemos juros altos, dificuldade de acesso ao crédito, e tudo isso impactou no aumento do endividamento dos produtores”, detalha Humberto Miranda.
No entanto, as projeções para 2026 são mais claras. O setor de grãos, com a soja e o milho, é visto como grande motor de crescimento, impulsionado por sementes melhoradas, técnicas sustentáveis e sistemas de irrigação mais inteligentes. O algodão também segue em destaque, com sua cadeia produtiva cada vez mais moderna.
Fruticultura e tecnologia impulsionam o estado
A Bahia, que já é o segundo maior produtor de frutas do Brasil, também tem planos ambiciosos. Eduardo Brandão, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), aponta a manga como a "estrela" de 2026, seguida pela banana, laranja e coco. O limão, em especial, tem ganhado força no mercado internacional, e o Recôncavo Baiano se sobressai na adoção de tecnologias e culturas orgânicas.
A modernização tecnológica é uma peça-chave nesse cenário. “O avanço no uso de produtos biológicos para o manejo de solo e o combate a pragas deve ganhar espaço. Isso se alinha à agricultura regenerativa e à busca por menor risco de resíduos”, explica Assis Pinheiro Filho, da Seagri.
Ele acrescenta que a tecnologia será ainda mais presente:
- Ferramentas de sensoriamento remoto e drones para monitoramento.
- Sistemas de irrigação mais eficientes, especialmente no semiárido.
- Uso de novos híbridos de milho e sorgo, mais resistentes à seca.
- Sistemas integrados de lavoura e pecuária (ILP) para melhorar a saúde do solo e a lucratividade.
Clima e sustentabilidade: os novos focos
Além da tecnologia, o clima é outro fator importante. Aloísio Júnior, gerente de Agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), revela que há uma grande chance de o fenômeno La Niña ocorrer, o que traria chuvas mais regulares para o Nordeste. Isso é ótimo para as plantações, pois amplia o período ideal para semear e desenvolver as culturas, diminuindo os riscos de secas.
A sustentabilidade também é prioridade. Há uma crescente demanda de outros países por práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente (programas ESG), e os consumidores estão cada vez mais atentos à origem dos produtos e às suas certificações ambientais e sociais. Isso cria novas oportunidades para produtos baianos de maior valor, como cacau, café arábica e algodão, abrindo portas para novos mercados internacionais.
Apesar de todo esse potencial, um desafio persiste: a logística. Eduardo Brandão, da Abrafrutas, ressalta a necessidade de melhorar as estradas que levam a produção aos portos e aeroportos, tanto para o mercado interno quanto para o externo. “A logística precisa ser encarada de forma profissional, para que a Bahia continue avançando”, pontua ele.
Com uma base produtiva forte e o foco em inovação e sustentabilidade, a Bahia se prepara para consolidar seu lugar de destaque no agronegócio nacional em 2026, transformando desafios em oportunidades de crescimento.

