Política

Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente em maio de 2026

Após 26 anos de negociações, o pacto comercial unirá blocos com PIB de US$ 22,4 trilhões e movimentará R$ 650 bilhões anuais
Por Redação
Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente em maio de 2026
Compartilhe:

O Acordo Mercosul-União Europeia (UE) entrará em vigor de forma provisória no dia 1º de maio de 2026. A medida, que unifica dois dos maiores blocos econômicos do mundo, foi resultado de 26 anos de diálogos e negociações diplomáticas.

Juntos, os blocos somam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22,4 trilhões e uma população de 718 milhões de pessoas. A expectativa é que o acordo movimente R$ 650 bilhões em comércio bilateral anual, conforme dados do texto final.

Segundo a Comissão Europeia, a aplicação provisória foi confirmada em 23 de março, após a ratificação por todos os quatro membros fundadores do Mercosul: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Esta estrutura como Acordo Comercial Interino (iTA) não exige ratificação individual de todos os 27 estados-membros da UE.

Impacto econômico e comercial

A partir de maio de 2026, a União Europeia eliminará tarifas sobre aproximadamente 95% dos produtos provenientes do Mercosul. Em contrapartida, o Mercosul removerá tarifas sobre cerca de 91% dos bens europeus, com uma implementação escalonada que promete mudar a arquitetura geopolítica global.

Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), explica que o acordo revela uma assimetria profunda entre as economias devido a diferenças estruturais. "Essa diferença de perfis produtivos reflete de forma desigual entre os setores, com impactos distintos para cada segmento da economia", afirma Negri.

O acordo prevê salvaguardas bilaterais, como o "freio de emergência", que permite a suspensão temporária de benefícios de redução de impostos em caso de pico de importação que ameace um setor. Produtos como café, frutas e couros terão imposto zero já no primeiro dia, enquanto setores como carros elétricos e maquinário industrial terão reduções graduais de tarifas ao longo de anos.

Para o Brasil, que movimenta cerca de R$ 2 trilhões anuais na economia do mar, o Acordo Mercosul-União Europeia terá reflexos significativos na movimentação dos portos. A expectativa é que o complexo portuário de Santos, o maior da América do Sul, possa dobrar sua movimentação com os novos fluxos comerciais.